Até a hora acabar

PastaEscolhas sempre me consomem: tempo e reflexão. Não importa se é pra decidir entre penne ou spaghetti, cabelo preso ou solto, gafieira ou tango, Itália ou Brasil, trabalho ou estudo, namoro ou amizade, livro clássico ou contemporâneo, meu cérebro começa a analisar vantagens e desvantagens de cada opção. Vai logo, Andrea, você ainda não escolheu? A sua carona está chegando e o cabelo nem está pronto! Se você não gostar deste livro, depois você troca ou pega outro, não vai morrer por causa disso. E assim vou brigando comigo mesma porque joguei fora tempo que não tem raccolta differenziata e não volta.

Percebi também que eu vou pra um mundo paralelo das decisões. Esqueço que tenho um corpo, que está num lugar, que sente o cheiro, que escuta, tem frio, calor. Eu não estou ali. Viajei pra longe. Mas a signora do caixa está ali, me aspettando impacientemente. “Signora, ho chiamato tre volte! Il supermercato chiude alle otto e mezzo!” (ou algo assim…). Sim, minha gente, eu fui a última a sair, com dois vidros de azeitona na mão – qual marca é melhor, dio mio?

Lógico que nem tudo fica restrito a duas escolhas, ou isto ou aquilo, e nem tudo depende só da minha decisão. Se eu não passo na seletiva da universidade, não tem como me inscrever. Ei! Mas se você, Andrea, realmente quiser, pode se preparar e tentar de novo! yayyyyyy! E assim vou me motivando a seguir em frente.

Però… quando decidimos “sim, eu quero!” e o outro diz não, ou não posso, ou talvez, ou ainda não… vem aquela angústia a travar aquele passo a frente, a encher a cabeça de mais dúvidas e indecisões ainda. Naturalmente vem o impulso de tentar convencer o outro. E assim vou me culpando por não conseguir, não ter a estratégia certa, na hora certa. Percebi que vou perdendo energia até não querer mais. Meu cérebro, senhor de mim, diz que não faz sentido, que perde-se o encanto se for tudo um jogo, uma receita de bolo, um quiz de revista pra saber se você é legal, um post de 10 dicas pra descobrir se o outro é um serial killer.

Fico pensando que voz teria a signora a avisar que a hora acabou, que tem que fechar. E hoje só amanhã.