Morrer na praia

“Tudo aquilo que ela precisava era da certeza do amor dele, e da sua garantia que não havia pressa (…). Amor e paciência certamente os teriam ajudado a vencer as dificuldades.  (…) É assim que todo curso de uma vida pode ser desviado – por não se fazer nada. Na praia de Chesil, ele poderia ter gritado o nome de Florence, poderia ter ido atrás dela. Ele não sabia, ou não teria querido saber, que, enquanto ela fugia, certa na sua dor de que o estava perdendo, nunca o amara tanto, ou mais desesperadamente, e que o som da voz dele teria sido seu resgate, e que ela teria voltado atrás. Em vez disso, ele permaneceu num silêncio frio e honrado (…).”

Na praia, Ian McEwan

ChesilEm quantas situações já não desistimos antes da hora? E o quanto essa ação pode influenciar e ter consequências em nossas vidas?  Esse post está na categoria do desabafo porque  o ambiente parece captar as energias dos nossos pensamentos e sentimentos. Ficamos com uma cisma na cabeça e aquilo não sai. Outros estímulos vêm para alimentá-la – um livro, um filme, uma música, uma frase perdida na rua. Foi igual quando vi filme Her. Seria uma sincronicidade.

Na praia é um romance que conta a história de dois jovens ingleses, Edward e Florence, que vão ter sua noite de núpcias. É na década de 60 e eles são inexperientes e inibidos. O ponto de vista de cada um deles é esmiuçado, e a partir daí vamos conhecendo os medos, as inseguranças, o nojo, o orgulho e outros sentimentos que aquele evento provoca. É mostrado também o jogo entre o que é represado, para ser aceito, para não frustrar as expectativas do outro, para enfrentar o desconhecido, e o que é revelado, para se colocar, para mostrar seus anseios, mostrar sua personalidade, mostrar que se é adulto. Mas é mostrado sobretudo o quanto cada um, a sua maneira, ama o outro.

E dá raiva quando eles destroem tudo a partir de um único evento. Eles não se acertam e a comunicação falha entre eles embaça ainda mais o conflito. A “solução” é seguirem caminhos opostos e distantes, o mais rápido possível. O livro dá uma acelerada no tempo (o que dá raiva também…) e o que se nota é que as lembranças dos sentimentos se apuram e não se apagam com o tempo.


 

Opus 18 de Beethoven

Citação

Amor sem fim

A cena é insólita – num campo aberto, homens correm para evitar uma tragédia:

“Corríamos em direção a quê? Superficialmente, para um balão. (…) Na base do balão, havia uma cesta com um menino dentro e, ao lado dela, agarrando-se por uma amarra, um homem necessitado de ajuda.”

Um desses homens era Joe, escritor de artigos científicos e ex-físico. Quando os gritos foram ouvidos, ele estava num piquenique com a amada, Clarissa, professora e crítica literária, que estivera longe dele havia seis semanas. O reencontro era para ser um dia memorável e prazeroso. Em vez disso, o evento deflagrou uma série de consequências para o casal.

A cooperação espontânea que se formou para segurar o balão, que insistia em voar sem direção, foi rompida pelo conflito entre altruísmo e egoísmo.

“E então, após uma breve batida do coração inundada de adrenalina, outra variável foi introduzida na equação: alguém largou seu cabo, e o balão e os que ainda pendiam dele foram erguidos mais alguns metros.”

O livro parece ir costurando as lembranças mais factuais deste acontecimento com sua influência nos sentimentos dos personagens. Para além da história do casal, há um amor obsessivo que surge de um outro homem que também segurava o balão – Jed, um desempregado que vive de herança. Seu fanatismo em Deus e sua fixação, perseguirá Joe até o fim.

O romance prende pelo suspense, desencadeado por esta obsessão, e amarra pelas diversas analogias entre o esforço para controlar o balão (cooperação, perseverança, altruísmo) e a jornada pessoal para amar e ser amado, e para refletir sobre suas próprias escolhas e o que pode ou não ser mudado na vida.

“Alguém disse eu, e a partir de então não havia nada a ganhar dizendo nós.”

 


Amor sem fimAmor sem fim
Enduring love
Ian McEwan

Em 2004, fizeram uma adaptação para o cinema chamada aqui no Brasil de Amor para sempre. Com Daniel Craig (007) e Samantha Morton (Terra de Sonhos) nos papéis principais.

 

 

Vídeo

3 Verdades Apaixonantes

1. Pra gostar de alguém não precisa gostar de tudo que o outro gosta. Ouvir “Je déteste le roquefort” é como ouvir “Je t’aime”.

2. Um abraço de quem não se espera, dado com vontade, desmascara nossas proteções.

3. “Você sempre machuca quem você ama, quem você nunca deveria machucar.”


Filmes

Os três filmes acima são igualmente apaixonantes. L’arnacouer (Como arrasar um coração) é uma comédia francesa, com a atriz e cantora Vanessa Paradis (Vou de táxi, cê sabe…tava morrendo de saudade!) e o ator Romain Duris (Albergue Espanhol e A Espuma dos Dias). Na história, ele é contratado para desmanchar o noivado dela. Pautado pela ética profissional – abre os olhos da mulherada, não suas pernas – corre atrás de seu objetivo e acaba se expondo, correndo o risco de quebrar seu próprio coração. Nessa correria toda até eu me empolgo e treino toda semana – uma maratona por Mônaco não seria nada mal! 😉

Como perder um homem em 10 dias espanta os mais cults pelo título. Sim, é comediazinha romântica americana. Um casal se forma a partir de apostas opostas: como perder um homem X como ganhar uma mulher. Na cena do banheiro, muitas loucuras ela já havia aprontado – desde levar o cara pra ver Celine Dion em dia de jogo, até encher o apartamento dele de pelúcias. Ali, na casa da família dele, os dois estavam tão desarmados que tocaram seus corações.

Por fim, temos Blue Valentine (Namorados para sempre), que é um drama, daqueles de chorar e se emocionar. Não tem um evento trágico pra justificar as lágrimas, tem o intrincado jogo entre os sentimentos pessoais e as nossas escolhas práticas na vida. Ryan Gosling e Michelle Williams (Dawson’s Creek) estão tão entregues em seus papéis que nem parece interpretação. O filme mostra com crueza todas as fases desse relacionamento amoroso. Dica: separa o lencinho…

A culpas é das estrelas

Hazel é uma paciente terminal. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante — o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos —, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.

http://www.aculpaedasestrelas.com.br

Sucumbi a forte vontade da minha alma de ir ao shopping, tomar um café Mocca na Starbucks e pegar um cineminha. Como o destino é perfeito em seus grandes desdobramentos, a sessão com o Tom Cruise já havia passado, a que podia assistir era “A culpa é das Estrelas”, lá embarquei.
Não preciso aqui falar que a surpresa foi enorme, a minha introdução já demonstra isso, o que quero aqui relatar são todas as sensações que me despertou, todas as emoções que me fez liberar.
O filme é simplesmente fantástico! Enredo, música, atores, atuação, luzes, fotografia, tudo é maravilhoso! Adorável!!! Nada menos que perfeito!!!! … qualquer que seja o erro, este foi amplamente encoberto por todas as mulheres fungando, segurando ou soltando seus choros, seus namorados também não conseguiram se conter, e o cara ao meu lado se abraçou na companheira e choraram os dois abertamente.
O coração se enche e transborda junto com a jornada de Hazel.
O som contagiante do choro começa nos primeiros minutos do filme, quando me vi dentro da tela pela primeira vez, na forma dos pais correndo, tropeçando em si mesmos, batendo nas paredes com as mudanças de direções na casa, ali me vi diante do que sou capaz pelo meu filho, que tudo isso eu faria pelo meu filho e que não devo temer meus sentimentos por ele, que não devo temer não ama-lo tanto quanto ele merece, ou comparar o quanto as outras mães amam e demonstram amar seus filhos, eu faria tudo pelo meu e amo do meu jeito, torto às vezes, mas amo.
As cenas que seguem são referência aos anos de tratamento da personagem principal, então me vi mais uma vez transpor a barreira da ficção e me envolver no sentimento de luta que ela emana, não sou forte como ela. Sei que tenho força dentro de mim, já travei e venci grandes batalhas e poderia cinzelar grandes feitos, mas não os faço, por pura preguiça de fazer, comodismo de uma comodidade atingida e assimilada que me traz uma segurança mentirosa e assim vou ficando…
Senti-me um nada diante da certeza que tantos têm tantos sonhos e não têm tanto tempo para fazê-los, eu aqui com tantos meus, com tanto tempo, com tanta saúde, e sem fazer. O que me fez tomar a muito explicável iniciativa de imprimir o cartaz do filme e cola-lo em minha escrivaninha, está aqui diante de meus olhos um lembrete silencioso para que eu faça por merecer minha vida. Que eu seja feliz, desfaça as falsas amarras e use as tiras para me prender aos meus sonhos.
Como se meu coração já não estive para explodir e minha maquiagem comprometida, o enredo toma o rumo do amor, aquele de princesas modernas, que recebem mensagens no celular, românticas pacas (entenda por românticas mensagens de “Oi”), de príncipes de bom coração que sem explicação avistam você na rua e te desejam como companheiras, para toda a eternidade, sem você se preocupar em usar saltos infinitamente altos ou máscaras de cílios. Somente te amam. Aquele amor que desejo sentir e ser correspondida, de alguém que irá segurar minha mão em todos os momentos, sem medo do que vem pela frente, amor incondicional e admiração.
Tenho toda a fé que irei senti-lo um dia, serei encharcada dele e poderei despejar o meu balde encharcando ele, assim que encontra-lo, assim que me amar e não mais me julgar menor, assim que eu comemorar minhas vitórias, não só as vitórias, o percurso e a superação de cada obstáculo também, assim que eu me encharcar do meu amor por mim mesma.
Todos os outros infinitos rumos da história deixo para vocês acompanharem junto com Hazel nos cinemas, aqui eu conto uma parte e lá estarão mais sentimentos e mais momentos de…