Nota

Elas estão descontroladas

Uma flor fora do jardim

Uma flor fora do jardim

Deveria ser uma pessoa na política. Mas é pessoa-mulher na política. Querem te convencer de que pessoa-mulher é pessoa (só pessoa), que é gente, que recebe tratamento igual aquele que, não por acaso, existe em maior quantidade no ambiente político, a pessoa-homem. Mas eu cismei que não existe essa pessoa genérica.

Quando o homem é candidato e está acusando alguém publicamente de um crime, crime este que sequer foi julgado, qual xingamento lhe é dirigido? “O senhor é um caluniador!”. É uma palavra precisa: caluniar é acusar alguém de ter cometido um crime, sem que essa pessoa o tenha feito (ou ela até pode ser criminosa, mas não passou pelo processo legal que a “condene”).

Quando mulher é candidata, caluniadora não é a primeira palavra lembrada. No debate dos presidenciáveis exibido na televisão, certa candidata foi chamada de “leviana”, acusação que veio acompanhada com um dedo em riste. “Leviana” tem ampla gama de significados – volátil, frágil… Sinto o cheiro da condescendência no ar! Essa pessoa nunca é só “caluniadora” – ela tem que ser também frágil, inconsistente, quase que uma criança que não pode ser levada a sério, tem que ser… MULHER!

Mas… Tudo isso talvez seja uma teimosia infundada. Vamos mergulhar no mundo dos comentaristas de portal (não sei onde eles se reproduzem, só sei que são muitos). O que eles dizem a respeito da candidata pessoa-mulher que resolveu reagir ao insulto “leviana-dedo-em-riste”? Aí é que o crime ocorre: ela foi julgada como DESCONTROLADA. E ao candidato pessoa-homem nada acontece, feijoada.

Pessoalmente nunca vi esse adjetivo – descontrolada – ser usado contra homens que reagem a algum tipo de acusação política. Porque uma pessoa-homem descontrolado – veja – é apenas um homem. Talvez um homem ousado, vá lá. Corajoso por reagir a um insulto, talvez.

Agora vai procurar no dicionário o significado de mulher ousada. Vai lá. Ainda ando cismada: quando me chamam de descontrolada na política é porque sou corajosa ou ousada?

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Ser tudo que EU quero

Essa semana, a praça do povo virtual chamada facebook, trouxe ao debate alguns textos sobre a nossa atual geração de mulheres. Como esse é um blog de mulheres cismadas, nada mais coerente eu cismar e contribuir aqui com alguns comentários sobre o assunto (convém ler os textos antes).

Seguem abaixo os links para os textos originais:

A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer

À espera da geração de mulheres que não se importam com o que os homens querem

Ei, Ruth

A incrível geração de mulheres chatas

 


Hmm ainda não faz sentido… É que não dá pra colocar tudo na mesma panela, tem quem viva no passado, mas tem sim aqueles homens e mulheres que estão vivendo no tempo presente, que se adaptam as (rápidas) transformações do nosso mundo.

Quando comecei a dar aula, me preocupava demais em “agradar” todos os alunos e me angustiava tentando. O fato é que isso é impossível. E na vida também é assim… Daí que por mais que a família, a sociedade, os amores, os amigos esperem sempre algo de mim, eu sou responsável pela minha história. Então não dá pra pautar as minhas ações nas expectativas alheias. Eles vão embora e eu fico, comigo, sozinha. O que não significa ser solitária e não se relacionar com ninguém.

Embora eu não seja a típica extrovertida, adoro conhecer gente do bem. Conheço homens admiráveis que não se encaixam em nada no rótulo de homens que não evoluíram. Não sou, nem quero ser, uma princesa (e quem quer ser, ótimo, que bom que é democrático o negócio). Tampouco ser convencional, seguindo fórmulas ultrapassadas e inúteis de ser a mulher perfeita (falando nisso, revistas femininas e blogs pra macho me dão vergonha alheia…).

Deve ser frustrante tentar ser alguém diferente pra agradar o outro. Porque por mais que o outro caia neste conto, é uma ilusão: o outro gosta de outra pessoa que você mesmo criou.  Agora, é legal quando você age sendo fiel aos seus princípios, seguindo seus desejos, mostrando quem você é, e daí vem alguém de fora apreciar exatamente isso que te faz único, que você ama tanto em você mesmo, não é? Nessa hora, eu percebo o quanto os homens estão mudados e são sim capazes de amar essa nova mulher. São escolhas pessoais. No fundo, ambos buscam o acolhimento, serem aceitos e amados como são. Uma hora cansa usar máscaras o tempo todo. Temos que aproveitar que estamos num tempo e espaço que permite a multiplicidade de escolhas. Quer ser piriguete? Vai. Quer ser mulher independente? Vai. Quer viver em outro país? Vai. Quer ser o cara que trabalha pra sustentar a família? Vai. Quer ficar e cuidar dos filhos? Fica.

O problema é não ligar o sintonizador de canais direito. Quer escutar rock e joga no pagode?! Não vai rolar, fia. Muda!