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Rebeija-me… Poesia de mulher

Baise m’encor, rebaise-moi et baise ;
Donne m’en un de tes plus savoureux,
Donne m’en un de tes plus amoureux :
Je t’en rendrai quatre plus chauds que braise.

Las ! te plains-tu ? Çà, que ce mal j’apaise,
En t’en donnant dix autres doucereux.
Ainsi, mêlant nos baisers tant heureux,
Jouissons-nous l’un de l’autre à notre aise.

Lors double vie à chacun en suivra.
Chacun en soi et son ami vivra.
Permets m’Amour penser quelque folie :

Toujours suis mal, vivant discrètement,
Et ne me puis donner contentement
Si hors de moi ne fais quelque saillie.

Louise Labé


 

Beija-me mais, beija-me ainda e beija;
Dá-me um daqueles teus mais saborosos;
Dá-me um daqueles seus mais amorosos,
Dou-te outros quatro em brasa que flameja.

Ah! tu te queixas? Que este mal te seja
Paz ao te dar dez outros deliciosos.
Mesclando nossos beijos mais ditosos
Gozemos um do outro, o amor sobeja.

E vida em dobro cada um terá;
Em si e no amante cada um viverá.
Permite, amor, pensar esta loucura:

Sempre estou mal, em discrição vivendo,
E não me posso dar contentamento,
Se de algo fora eu não for à procura.

Do livro Poetas franceses da Renascença, traduzido por Mário Laranjeira.

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Obra de brincar

Paixão e determinação que produzem beleza! ❤

Este senhor italiano aprendeu a soldar e nunca mais parou! Inspirado pelas folhas que caiam, e os movimentos da natureza, começou a produzir sua obra: brinquedos cheios de energia e movimento.


 

 

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Dia das Amigas

“Ah, não; amigo, para mim, é diferente. Não é um ajuste de um dar serviço ao outro, e receber, e saírem por este mundo, barganhando ajudas, ainda que sendo com o fazer a injustiça aos demais. Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou – amigo – é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é.”

João Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas
(p.164)

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Gafieira de ruelle!

Tem como não amar este grupo de Montréal que dança bonitinho o nosso samba de gafieira?!

Cartaz de divulgação do evento de 2013

Cartaz de divulgação do evento de 2013

No vídeo “Samba de ruelle”, os muros cheios de graffiti colorido fazem ressaltar ainda mais o samba leve, descontraído e igualmente colorido dessa trupe canadense. Em sua página no YouTube, eles compartilharam o documentário “Un pied dans la samba” (com legendas ocultas em inglês e tradução automática em português) que explica não só a motivação deles em praticar o samba de gafieira, mas também o que é, como ele surgiu, como eles próprios aprenderam e como foram os preparativos do evento SAMBAKANA, criado justamente para divulgar essa dança de salão brasileira em Montréal.

 

Morrer na praia

“Tudo aquilo que ela precisava era da certeza do amor dele, e da sua garantia que não havia pressa (…). Amor e paciência certamente os teriam ajudado a vencer as dificuldades.  (…) É assim que todo curso de uma vida pode ser desviado – por não se fazer nada. Na praia de Chesil, ele poderia ter gritado o nome de Florence, poderia ter ido atrás dela. Ele não sabia, ou não teria querido saber, que, enquanto ela fugia, certa na sua dor de que o estava perdendo, nunca o amara tanto, ou mais desesperadamente, e que o som da voz dele teria sido seu resgate, e que ela teria voltado atrás. Em vez disso, ele permaneceu num silêncio frio e honrado (…).”

Na praia, Ian McEwan

ChesilEm quantas situações já não desistimos antes da hora? E o quanto essa ação pode influenciar e ter consequências em nossas vidas?  Esse post está na categoria do desabafo porque  o ambiente parece captar as energias dos nossos pensamentos e sentimentos. Ficamos com uma cisma na cabeça e aquilo não sai. Outros estímulos vêm para alimentá-la – um livro, um filme, uma música, uma frase perdida na rua. Foi igual quando vi filme Her. Seria uma sincronicidade.

Na praia é um romance que conta a história de dois jovens ingleses, Edward e Florence, que vão ter sua noite de núpcias. É na década de 60 e eles são inexperientes e inibidos. O ponto de vista de cada um deles é esmiuçado, e a partir daí vamos conhecendo os medos, as inseguranças, o nojo, o orgulho e outros sentimentos que aquele evento provoca. É mostrado também o jogo entre o que é represado, para ser aceito, para não frustrar as expectativas do outro, para enfrentar o desconhecido, e o que é revelado, para se colocar, para mostrar seus anseios, mostrar sua personalidade, mostrar que se é adulto. Mas é mostrado sobretudo o quanto cada um, a sua maneira, ama o outro.

E dá raiva quando eles destroem tudo a partir de um único evento. Eles não se acertam e a comunicação falha entre eles embaça ainda mais o conflito. A “solução” é seguirem caminhos opostos e distantes, o mais rápido possível. O livro dá uma acelerada no tempo (o que dá raiva também…) e o que se nota é que as lembranças dos sentimentos se apuram e não se apagam com o tempo.


 

Opus 18 de Beethoven

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Ser tudo que EU quero

Essa semana, a praça do povo virtual chamada facebook, trouxe ao debate alguns textos sobre a nossa atual geração de mulheres. Como esse é um blog de mulheres cismadas, nada mais coerente eu cismar e contribuir aqui com alguns comentários sobre o assunto (convém ler os textos antes).

Seguem abaixo os links para os textos originais:

A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer

À espera da geração de mulheres que não se importam com o que os homens querem

Ei, Ruth

A incrível geração de mulheres chatas

 


Hmm ainda não faz sentido… É que não dá pra colocar tudo na mesma panela, tem quem viva no passado, mas tem sim aqueles homens e mulheres que estão vivendo no tempo presente, que se adaptam as (rápidas) transformações do nosso mundo.

Quando comecei a dar aula, me preocupava demais em “agradar” todos os alunos e me angustiava tentando. O fato é que isso é impossível. E na vida também é assim… Daí que por mais que a família, a sociedade, os amores, os amigos esperem sempre algo de mim, eu sou responsável pela minha história. Então não dá pra pautar as minhas ações nas expectativas alheias. Eles vão embora e eu fico, comigo, sozinha. O que não significa ser solitária e não se relacionar com ninguém.

Embora eu não seja a típica extrovertida, adoro conhecer gente do bem. Conheço homens admiráveis que não se encaixam em nada no rótulo de homens que não evoluíram. Não sou, nem quero ser, uma princesa (e quem quer ser, ótimo, que bom que é democrático o negócio). Tampouco ser convencional, seguindo fórmulas ultrapassadas e inúteis de ser a mulher perfeita (falando nisso, revistas femininas e blogs pra macho me dão vergonha alheia…).

Deve ser frustrante tentar ser alguém diferente pra agradar o outro. Porque por mais que o outro caia neste conto, é uma ilusão: o outro gosta de outra pessoa que você mesmo criou.  Agora, é legal quando você age sendo fiel aos seus princípios, seguindo seus desejos, mostrando quem você é, e daí vem alguém de fora apreciar exatamente isso que te faz único, que você ama tanto em você mesmo, não é? Nessa hora, eu percebo o quanto os homens estão mudados e são sim capazes de amar essa nova mulher. São escolhas pessoais. No fundo, ambos buscam o acolhimento, serem aceitos e amados como são. Uma hora cansa usar máscaras o tempo todo. Temos que aproveitar que estamos num tempo e espaço que permite a multiplicidade de escolhas. Quer ser piriguete? Vai. Quer ser mulher independente? Vai. Quer viver em outro país? Vai. Quer ser o cara que trabalha pra sustentar a família? Vai. Quer ficar e cuidar dos filhos? Fica.

O problema é não ligar o sintonizador de canais direito. Quer escutar rock e joga no pagode?! Não vai rolar, fia. Muda!

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Amor sem fim

A cena é insólita – num campo aberto, homens correm para evitar uma tragédia:

“Corríamos em direção a quê? Superficialmente, para um balão. (…) Na base do balão, havia uma cesta com um menino dentro e, ao lado dela, agarrando-se por uma amarra, um homem necessitado de ajuda.”

Um desses homens era Joe, escritor de artigos científicos e ex-físico. Quando os gritos foram ouvidos, ele estava num piquenique com a amada, Clarissa, professora e crítica literária, que estivera longe dele havia seis semanas. O reencontro era para ser um dia memorável e prazeroso. Em vez disso, o evento deflagrou uma série de consequências para o casal.

A cooperação espontânea que se formou para segurar o balão, que insistia em voar sem direção, foi rompida pelo conflito entre altruísmo e egoísmo.

“E então, após uma breve batida do coração inundada de adrenalina, outra variável foi introduzida na equação: alguém largou seu cabo, e o balão e os que ainda pendiam dele foram erguidos mais alguns metros.”

O livro parece ir costurando as lembranças mais factuais deste acontecimento com sua influência nos sentimentos dos personagens. Para além da história do casal, há um amor obsessivo que surge de um outro homem que também segurava o balão – Jed, um desempregado que vive de herança. Seu fanatismo em Deus e sua fixação, perseguirá Joe até o fim.

O romance prende pelo suspense, desencadeado por esta obsessão, e amarra pelas diversas analogias entre o esforço para controlar o balão (cooperação, perseverança, altruísmo) e a jornada pessoal para amar e ser amado, e para refletir sobre suas próprias escolhas e o que pode ou não ser mudado na vida.

“Alguém disse eu, e a partir de então não havia nada a ganhar dizendo nós.”

 


Amor sem fimAmor sem fim
Enduring love
Ian McEwan

Em 2004, fizeram uma adaptação para o cinema chamada aqui no Brasil de Amor para sempre. Com Daniel Craig (007) e Samantha Morton (Terra de Sonhos) nos papéis principais.