A culpas é das estrelas

Hazel é uma paciente terminal. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante — o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos —, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.

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Sucumbi a forte vontade da minha alma de ir ao shopping, tomar um café Mocca na Starbucks e pegar um cineminha. Como o destino é perfeito em seus grandes desdobramentos, a sessão com o Tom Cruise já havia passado, a que podia assistir era “A culpa é das Estrelas”, lá embarquei.
Não preciso aqui falar que a surpresa foi enorme, a minha introdução já demonstra isso, o que quero aqui relatar são todas as sensações que me despertou, todas as emoções que me fez liberar.
O filme é simplesmente fantástico! Enredo, música, atores, atuação, luzes, fotografia, tudo é maravilhoso! Adorável!!! Nada menos que perfeito!!!! … qualquer que seja o erro, este foi amplamente encoberto por todas as mulheres fungando, segurando ou soltando seus choros, seus namorados também não conseguiram se conter, e o cara ao meu lado se abraçou na companheira e choraram os dois abertamente.
O coração se enche e transborda junto com a jornada de Hazel.
O som contagiante do choro começa nos primeiros minutos do filme, quando me vi dentro da tela pela primeira vez, na forma dos pais correndo, tropeçando em si mesmos, batendo nas paredes com as mudanças de direções na casa, ali me vi diante do que sou capaz pelo meu filho, que tudo isso eu faria pelo meu filho e que não devo temer meus sentimentos por ele, que não devo temer não ama-lo tanto quanto ele merece, ou comparar o quanto as outras mães amam e demonstram amar seus filhos, eu faria tudo pelo meu e amo do meu jeito, torto às vezes, mas amo.
As cenas que seguem são referência aos anos de tratamento da personagem principal, então me vi mais uma vez transpor a barreira da ficção e me envolver no sentimento de luta que ela emana, não sou forte como ela. Sei que tenho força dentro de mim, já travei e venci grandes batalhas e poderia cinzelar grandes feitos, mas não os faço, por pura preguiça de fazer, comodismo de uma comodidade atingida e assimilada que me traz uma segurança mentirosa e assim vou ficando…
Senti-me um nada diante da certeza que tantos têm tantos sonhos e não têm tanto tempo para fazê-los, eu aqui com tantos meus, com tanto tempo, com tanta saúde, e sem fazer. O que me fez tomar a muito explicável iniciativa de imprimir o cartaz do filme e cola-lo em minha escrivaninha, está aqui diante de meus olhos um lembrete silencioso para que eu faça por merecer minha vida. Que eu seja feliz, desfaça as falsas amarras e use as tiras para me prender aos meus sonhos.
Como se meu coração já não estive para explodir e minha maquiagem comprometida, o enredo toma o rumo do amor, aquele de princesas modernas, que recebem mensagens no celular, românticas pacas (entenda por românticas mensagens de “Oi”), de príncipes de bom coração que sem explicação avistam você na rua e te desejam como companheiras, para toda a eternidade, sem você se preocupar em usar saltos infinitamente altos ou máscaras de cílios. Somente te amam. Aquele amor que desejo sentir e ser correspondida, de alguém que irá segurar minha mão em todos os momentos, sem medo do que vem pela frente, amor incondicional e admiração.
Tenho toda a fé que irei senti-lo um dia, serei encharcada dele e poderei despejar o meu balde encharcando ele, assim que encontra-lo, assim que me amar e não mais me julgar menor, assim que eu comemorar minhas vitórias, não só as vitórias, o percurso e a superação de cada obstáculo também, assim que eu me encharcar do meu amor por mim mesma.
Todos os outros infinitos rumos da história deixo para vocês acompanharem junto com Hazel nos cinemas, aqui eu conto uma parte e lá estarão mais sentimentos e mais momentos de…

Desabafo – Janeiro 2014

Li muitos posts para mim ontem, escreveram que sou especial e preciso ter calma e pé no chão, li que haverá um parceiro em algum lugar, será meu molde e nós seremos felizes.

O seguro morreu de tédio.

Sei que sou especial e mereço ser valorizada ao máximo, que não mereço desprezo, que não mereço passar a sexta-feira inteira esperando que aquele carinha lembre que marcou comigo um jantar e me ligue. Sei que sou uma garota super supimpa e mereço que todas as minhas mensagens enviadas sejam respondidas com carinho e amor em retribuição, afinal as que envio são recheadas de boas intenções, safadas as vezes, mas sempre do bem.

O que ninguém me disse é como suportar ou superar o vazio enorme que sinto, a falta que eu sinto de alguém me tocar, beijar, apertar e afagar. Como conviver com tantas borboletas que tenho no estomago sem nenhum motivo para se agitarem? Todas quietas no fundo esperando ansiosas para se agitarem violentamente, me fazer parar como estátua diante de uma daquelas surpresas inesperadas, como aquelas cenas ao melhor estilo dos filmes românticos mais “mamões com açúcar” já vistos.

Ontem eu passei um bom tempo sentada na minha cama, chorando sem parar, fazendo cafuné em uma das almofadas que tem uma textura muito gostosa. Não chorando porque não recebi aquela mensagem ou aquele convite, chorando porque me sinto só, porque há um vazio dentro de mim que não sei explicar e não consigo preencher, nem sei se é espaço para um romance ou para aventuras.

Creio que assisti tantos filmes da Walt Disney, com tantas princesas que sofrem e depois encontram seus príncipes encantados, que fundi meu cérebro.

Fiquei grávida aos 17 anos, paguei minha faculdade sozinha, casei, me divorciei, montei uma casa com muito esforço, tive vários empregos, sempre me adaptei ao que pediram, nunca recusei pegar um extra, dormi menos que várias pessoas que sofrem de insônia (eu não sofro disso, minhas pálpebras tentam se encontrar toda hora…), corro para qualquer lado, escuto qualquer proposta, driblo pré-conceitos toda semana… CADE MEU PRÍNCIPE!?!?!?!?!?!

Ok, ok, eu preciso me centrar em eu mesma, ninguém irá mudar minha vida por mim, eu preciso me lembrar que acontece na minha volta o reflexo do todo, que sou uma guerreirinha e posso tudo em que me esforçar.

Mas ontem eu só queria um beijo.

Uma noite de carinho, de alguém que me vê como especial, de alguém que pode me dar a mão e me acompanhar pela vida toda. Fato, o Antônio não é esse cara, o pediatra também não, assim como não era o jornalista e nem o carinha de branco no bar da Vila Madalena. Também não é engenheiro gaúcho de Florianópolis, nem o João casado e safado… Nem o jovem Miguel que me fez dirigir até o limite da cidade para deixa-lo na casa da mãe.

Mas ontem eu só queria um beijo.

Seria cômico se não fosse comigo.

Aceitaria ficar com a maioria deles desde que esse vazio diminuísse, para não me sentir tão só, para as borboletas se agitarem quando o telefone tocar, para sorrir com uma mensagem boba, para me sentir desejada, para qualquer coisa, menos me perceber chorando sem parar alisando uma almofada, com um peso gigante de algo vazio.

Vou retomar os projetos para 2014, estudar, trabalhar, ganhar dinheiro, viajar com meu filho, baladas com as amigas, preencher este vazio de coisas que estão ao meu alcance de fazer, que só preciso contar comigo mesma.

Mas como ontem, eu só queria um beijo, sei que tudo isso irá para segundo plano assim que chegar uma mensagem qualquer no meu celular.