Citação

Dia das Amigas

“Ah, não; amigo, para mim, é diferente. Não é um ajuste de um dar serviço ao outro, e receber, e saírem por este mundo, barganhando ajudas, ainda que sendo com o fazer a injustiça aos demais. Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou – amigo – é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é.”

João Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas
(p.164)

Vídeo

Gafieira de ruelle!

Tem como não amar este grupo de Montréal que dança bonitinho o nosso samba de gafieira?!

Cartaz de divulgação do evento de 2013

Cartaz de divulgação do evento de 2013

No vídeo “Samba de ruelle”, os muros cheios de graffiti colorido fazem ressaltar ainda mais o samba leve, descontraído e igualmente colorido dessa trupe canadense. Em sua página no YouTube, eles compartilharam o documentário “Un pied dans la samba” (com legendas ocultas em inglês e tradução automática em português) que explica não só a motivação deles em praticar o samba de gafieira, mas também o que é, como ele surgiu, como eles próprios aprenderam e como foram os preparativos do evento SAMBAKANA, criado justamente para divulgar essa dança de salão brasileira em Montréal.

 

Morrer na praia

“Tudo aquilo que ela precisava era da certeza do amor dele, e da sua garantia que não havia pressa (…). Amor e paciência certamente os teriam ajudado a vencer as dificuldades.  (…) É assim que todo curso de uma vida pode ser desviado – por não se fazer nada. Na praia de Chesil, ele poderia ter gritado o nome de Florence, poderia ter ido atrás dela. Ele não sabia, ou não teria querido saber, que, enquanto ela fugia, certa na sua dor de que o estava perdendo, nunca o amara tanto, ou mais desesperadamente, e que o som da voz dele teria sido seu resgate, e que ela teria voltado atrás. Em vez disso, ele permaneceu num silêncio frio e honrado (…).”

Na praia, Ian McEwan

ChesilEm quantas situações já não desistimos antes da hora? E o quanto essa ação pode influenciar e ter consequências em nossas vidas?  Esse post está na categoria do desabafo porque  o ambiente parece captar as energias dos nossos pensamentos e sentimentos. Ficamos com uma cisma na cabeça e aquilo não sai. Outros estímulos vêm para alimentá-la – um livro, um filme, uma música, uma frase perdida na rua. Foi igual quando vi filme Her. Seria uma sincronicidade.

Na praia é um romance que conta a história de dois jovens ingleses, Edward e Florence, que vão ter sua noite de núpcias. É na década de 60 e eles são inexperientes e inibidos. O ponto de vista de cada um deles é esmiuçado, e a partir daí vamos conhecendo os medos, as inseguranças, o nojo, o orgulho e outros sentimentos que aquele evento provoca. É mostrado também o jogo entre o que é represado, para ser aceito, para não frustrar as expectativas do outro, para enfrentar o desconhecido, e o que é revelado, para se colocar, para mostrar seus anseios, mostrar sua personalidade, mostrar que se é adulto. Mas é mostrado sobretudo o quanto cada um, a sua maneira, ama o outro.

E dá raiva quando eles destroem tudo a partir de um único evento. Eles não se acertam e a comunicação falha entre eles embaça ainda mais o conflito. A “solução” é seguirem caminhos opostos e distantes, o mais rápido possível. O livro dá uma acelerada no tempo (o que dá raiva também…) e o que se nota é que as lembranças dos sentimentos se apuram e não se apagam com o tempo.


 

Opus 18 de Beethoven