Desabafo – Janeiro 2014

Li muitos posts para mim ontem, escreveram que sou especial e preciso ter calma e pé no chão, li que haverá um parceiro em algum lugar, será meu molde e nós seremos felizes.

O seguro morreu de tédio.

Sei que sou especial e mereço ser valorizada ao máximo, que não mereço desprezo, que não mereço passar a sexta-feira inteira esperando que aquele carinha lembre que marcou comigo um jantar e me ligue. Sei que sou uma garota super supimpa e mereço que todas as minhas mensagens enviadas sejam respondidas com carinho e amor em retribuição, afinal as que envio são recheadas de boas intenções, safadas as vezes, mas sempre do bem.

O que ninguém me disse é como suportar ou superar o vazio enorme que sinto, a falta que eu sinto de alguém me tocar, beijar, apertar e afagar. Como conviver com tantas borboletas que tenho no estomago sem nenhum motivo para se agitarem? Todas quietas no fundo esperando ansiosas para se agitarem violentamente, me fazer parar como estátua diante de uma daquelas surpresas inesperadas, como aquelas cenas ao melhor estilo dos filmes românticos mais “mamões com açúcar” já vistos.

Ontem eu passei um bom tempo sentada na minha cama, chorando sem parar, fazendo cafuné em uma das almofadas que tem uma textura muito gostosa. Não chorando porque não recebi aquela mensagem ou aquele convite, chorando porque me sinto só, porque há um vazio dentro de mim que não sei explicar e não consigo preencher, nem sei se é espaço para um romance ou para aventuras.

Creio que assisti tantos filmes da Walt Disney, com tantas princesas que sofrem e depois encontram seus príncipes encantados, que fundi meu cérebro.

Fiquei grávida aos 17 anos, paguei minha faculdade sozinha, casei, me divorciei, montei uma casa com muito esforço, tive vários empregos, sempre me adaptei ao que pediram, nunca recusei pegar um extra, dormi menos que várias pessoas que sofrem de insônia (eu não sofro disso, minhas pálpebras tentam se encontrar toda hora…), corro para qualquer lado, escuto qualquer proposta, driblo pré-conceitos toda semana… CADE MEU PRÍNCIPE!?!?!?!?!?!

Ok, ok, eu preciso me centrar em eu mesma, ninguém irá mudar minha vida por mim, eu preciso me lembrar que acontece na minha volta o reflexo do todo, que sou uma guerreirinha e posso tudo em que me esforçar.

Mas ontem eu só queria um beijo.

Uma noite de carinho, de alguém que me vê como especial, de alguém que pode me dar a mão e me acompanhar pela vida toda. Fato, o Antônio não é esse cara, o pediatra também não, assim como não era o jornalista e nem o carinha de branco no bar da Vila Madalena. Também não é engenheiro gaúcho de Florianópolis, nem o João casado e safado… Nem o jovem Miguel que me fez dirigir até o limite da cidade para deixa-lo na casa da mãe.

Mas ontem eu só queria um beijo.

Seria cômico se não fosse comigo.

Aceitaria ficar com a maioria deles desde que esse vazio diminuísse, para não me sentir tão só, para as borboletas se agitarem quando o telefone tocar, para sorrir com uma mensagem boba, para me sentir desejada, para qualquer coisa, menos me perceber chorando sem parar alisando uma almofada, com um peso gigante de algo vazio.

Vou retomar os projetos para 2014, estudar, trabalhar, ganhar dinheiro, viajar com meu filho, baladas com as amigas, preencher este vazio de coisas que estão ao meu alcance de fazer, que só preciso contar comigo mesma.

Mas como ontem, eu só queria um beijo, sei que tudo isso irá para segundo plano assim que chegar uma mensagem qualquer no meu celular.

 

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